10 anos de Caps Toninho: refletindo sobre nossa história

24/11/2011 at 16:05 Deixe um comentário

Para comemorar a data, o prof dr. Emerson Merhy foi convidado para debater o tema “Refletindo sobre o nosso Modelo” ( Modelo de Atenção em Saúde Mental na cidade de Campinas). 

Assista ao vídeo!

obs: os vídeos abaixo não aparecerão se o seu acesso ao Youtube estiver bloqueado.

Segue abaixo o texto da fala de abertura da coordenadora Rosana Romanelli.

“CAPS – O que somos?

Em nosso primeiro aniversário do CAPS perguntávamos:

Para onde vamos?

No décimo aniversário questionamos:

Onde estamos? O que somos mesmo?

Andamos muito, abrimos caminhos, construímos rede, inventamos novas formas de cuidado, promovemos novos encontros.

Tudo muda, o tempo não para, aprendemos fazendo.

Em 2001 apostamos que a reforma psiquiátrica em Campinas teria um novo horizonte.

Foi um movimento de luta, de luta antimanicomial em seu significado mais fiel: tratar em liberdade!

Acredito que tratar em liberdade é oferecermos o direito de escolha de quem precisa ser cuidado, mas nem sempre as escolhas são possíveis nas diferentes crises de um ser em sofrimento mental.

Que sentido damos, por exemplo, ao Núcleo de Retaguarda do SSCF ou Complexo Hospitalar Ouro Verde quando pedimos internações? Internar, ou melhor, cuidar de um paciente em crise sob esquema intensivo do olhar sugere segregação?

Como agregar às internações uma oportunidade de construção de vínculo?

Proponho que hoje possamos consensuar uma retomada de reflexão sobre modelo. Como avançarmos?

Estamos constatando a falência de uma rede de cuidado em saúde mental nas UBSs. Por quê?

Como garantir o financiamento da saúde na cidade de Campinas?

Como aprimorar as políticas públicas que direcionam o modelo de cuidado?

A diversidade das realidades socioeconômicas desta cidade faz caber muitas possibilidades de intervenções, por isso vale agora arriscar, ou melhor, ousar dizer que outros equipamentos de saúde mental seriam muito bem vindos nesse momento em que temos um processo histórico para avaliar.

O que é realmente uma rede de atenção e cuidado em saúde mental?

São CAPS, UBSs, CECOS, Programas de Geração de Renda, Pronto-Atendimento, Prontos-Socorros, hospitais, ambulatórios… O que mais?

Redes são serviços que operam em conexões a partir de demandas, mas vale lembrar que em nosso modelo legitimamos as conexões que cada usuário faz na construção de seus processos, criando suas próprias redes.

Qual é o maior capital em saúde mental?

Com certeza o coletivo de trabalhadores, os animadores dessa construção. Pode haver políticas, financiamentos e projetos, mas se não houver trabalhadores se apropriando e operando os recursos, certamente não haverá construções.

Quem são hoje esses trabalhadores?

A interdisciplinaridade nos trouxe muita potência, somada ao modelo de “Profissionais de Referência” e Projetos Terapêuticos Individuais.

A Clínica Ampliada pôde ser realidade a partir dessa experiência.

Como introduzir esta tecnologia de cuidado em toda a rede operante?

Faz sentido experimentar equipe multidisciplinar num pronto-atendimento?

O MODELO QUE OPERAMOS

Quando o convênio Cândido/Secretaria de Saúde foi implantado, legitimado por uma lei municipal em 1990, portanto 21 anos atrás, o SUS tinha apenas 2 anos.

É aí que a o Cândido toma a forma de uma instituição de caráter público.

Nesses 21 anos, passando por muitos governos, esse convênio favoreceu que o SSCF e SMS sustentasse as perspectivas de avanços no cuidado em saúde mental e, implicados com o movimento da Reforma Psiquiátrica, vem ao longo do tempo buscando a superação da exclusão e promovendo a humanização do cuidado e transformação do modelo, além de novas tecnologias de atenção em saúde mental.

O modelo de Campinas foi considerado pela OMS referência na atenção à saúde mental.

Em 2011 esse convênio foi importante recurso para o grande avanço na construção e ampliação dos serviços de SM em Campinas.

Foi neste momento que os CAPS se configuraram como serviços territorializados.

Hoje Campinas é uma cidade com 1 milhão de habitantes, dividida em 5 diferentes distritos e conta com 6 CAPS lll , 2 CAPS AD (um em implementação) e dois CAPS infantil operando em sua máxima capacidade.

O que é a construção de projetos senão o desejo de muitos?

A saúde mental em Campinas teve o privilégio de se desenvolver a partir de um convênio pensado como um recurso para dar conta de um tema da maior complexidade: a loucura.

A SMS, representada por atores implicados com a Reforma Psiquiátrica, se uniu a uma instituição que oferecia recursos físicos, humanos e tecnológicos para construir, a partir da lógica do Sistema Único de Saúde, um projeto municipal que se tornou modelo.”

Rosana Romanelli, coordenadora CAPS  Toninho.

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